"Há cinco anos, recém-separada, com dois filhos pequenos e sedentária, tomei uma decisão: comprar uma esteira elétrica. Muita gente me disse que logo, logo ela viraria um cabide. Comecei a rotina de acordar bem cedinho e correr no tal “futuro cabide” enquanto as crianças ainda dormiam.
Dois meses depois veio a primeira corrida (interna da empresa na qual trabalho) com percurso de 5 km. Gostei do clima, me empolguei e pulei (pulei, não, corri!) direto para a próxima: Dez Milhas Garoto (não, eu não deveria ter feito isso!). Partir direto dos
5 para os 16 km não é o recomendado, mas fui! Pronto! O bichinho da corrida de rua me mordeu, não havia mais como voltar atrás.
Sempre preferi treinar cedo, por volta das 5h30 da manhã. A endorfina liberada me deixa muito mais disposta e bem humorada, contribuindo para enfrentar a jornada do dia e melhorando a qualidade do meu sono.
No ano passado, após ouvir uma amiga dizer que eu precisava sentir a emoção que ela sentiu em sua primeira maratona, resolvi que neste ano, para comemorar a chegada dos meus 42 anos de idade, correria os pouco mais de 42 km de uma maratona.
Começava aí um longo período de dedicação extrema com treinos de corrida intercalados com musculação para fortalecimento muscular e um dia de descanso durante a semana. Tudo supervisionado e orientado por uma assessoria de corrida e por um educador físico. A alimentação também teve uma atenção especial, com o acompanhamento de uma nutricionista. Em julho o objetivo foi alcançado: completei os 42,195 km da minha primeira maratona em 4h13 sem dor ou sofrimento.
Nestes últimos cinco anos aconteceram muitas corridas, treinos e conquistas: maior qualidade de vida, mais saúde, disposição, altas doses de endorfina, conheci muitas pessoas, fiz amigos verdadeiros, melhorei minha alimentação (quem me conheceu antes de começar a correr sabe o tamanho desta conquista!), ganhei panturrilhas!
Amo esse universo das corridas de rua! Não me imagino longe de tudo o que me é proporcionado por esse esporte!
Ah, a esteira não virou cabide e hoje está sendo usada por uma tia, que a utiliza por recomendações médicas".
